domingo, 18 de março de 2012

Viagem ao Submundo - Uma Análise

Estou querendo escrever sobre isso há algum tempo, e acho que chegou a hora. Analisar minha estadia em Rio Grande. Como eu penso melhor escrevendo, vamos aproveitar!

Eu até compilei meus posts pra ir analisando toda a jornada. No começo, quando era tudo novidade, era super legal. Lembro que eu estava super empolgada pra chegar a época de frio - ah, se eu soubesse o que me esperava! Hehehe. Percebi também que no início eu estava empolgada com tudo que acontecia. Tudo era novidade, então é ótimo! Mas sempre, sempre a saudade de um monte de coisas. E pessoas.

Com o tempo, meu blog foi ficando mais... sombrio. Não é novidade pra quem lê meu blog que, pra mim, os Deuses estão sempre guiando meu caminho e mexendo seus pauzinhos pras coisas acontecerem. E esse processo não foi diferente. Pra mim, foi um aprofundamento no Submundo, conhecendo lados meus que eu não conhecia e trazendo à tona várias coisas que precisava curar.

Esses dias eu tenho pensado em Rio Grande como um capítulo escuro da minha vida. Não no sentido de "passado negro", mas de um mergulho profundo em mim mesma, naquelas partes que não ficam muito à vista. Exatamente as que precisavam de atenção.

Eu fiquei muito sozinha, quase todo o tempo. Tive amigos que vieram e se foram. Chorei muito em diveeeeersos momentos desse processo. Mas, não importa o momento, sempre tinha uma coisa a meu favor.

Quando eu não era amiga de ninguém, eu tinha vizinhos legais, que me ajudavam, me faziam companhia e até faziam comida pra mim. Depois eu arrumei amigos e um namorado, me mudei pra um lugar melhor. Na minha maior crise com o primeiro namorado, eu tive amigas pra me apoiar no processo.

Depois, veio o verão, e os ônibus no verão pra FURG são beeem chatos. E enquanto estávamos no período de escassez de ônibus, eu tive um carro pra facilitar a vida. Sofrendo com uma crise, mas com os amigos pra contrabalancear do outro lado.

Então eu terminei o namoro e entrei no mundo da música, que foi outro ponto de apoio por muito tempo. Uma nova fase que foi muito importante. Foi aí que eu percebi como é gostoso estar em um palco, cantando pras pessoas. Como a música me completa e me faz bem.

Mas mesmo no auge desse momento, eu sentia que aquilo era efêmero, e eu não estava enganada. E quando tudo isso foi embora, junto com várias amizades, quando eu estava quase totalmente sozinha de novo, uma outra pessoinha estava ali, e curou um monte de coisas, e se tornou um novo ponto de apoio para aquele momento que eu estava vivendo (e eu espero ter sido um apoio também, aliás).

E por todas essas coisas eu vejo as mãozinhas dos Deuses me guiando. Do tipo... "tá difícil, mas eu vou te dar algo pra conseguir dar conta. Não falta muito agora, vamos lá. Só mais um pouquinho!"

No final de tudo isso, a minha certeza de que finalmente era hora de voltar pra Brasília era absoluta. Não havia outra escolha, pois eu não estava exatamente feliz... e isso também ocasionou ter que abrir mão de uma coisa de igual valor pra mim. Eu já sabia que teria que fazer isso e doeu mesmo assim, como eu também sabia que seria.

Quando voltei pra Brasília, quis romper todas as ligações que tenho com a cidade. Excluir pessoas, guardar fotos pra não ver mais tão cedo, parar de lembrar de coisas. As lembranças são tão paradoxais... e certas coisas ficaram como um "trauminha". E eu sei que isso vai durar algum tempo, exatamente pela solidão imensa que eu senti durante todo esse tempo. Mas eu consigo compreender a importância desses dois anos na minha vida.

Além de toda a jornada pessoal, foi uma busca profissional, e toda a vivência do mestrado me fez chegar ao meu objetivo do doutorado - que difere de muitas formas do que fiz no mestrado, mas eu não teria chegado às conclusões que cheguei se não tivesse passado por isso.

Depois da revolta postada outro dia, eu também consegui entender como a Deusa não dá ponto sem nó, e que eu estava errada em achar que ela seria simplesmente cruel. Aset sempre sabe o que faz, e as coisas acabam se tornando mais claras em pouco tempo. E assim foi, e eu percebi que realmente não havia outra forma de ser.

Ir pra Rio Grande provavelmente foi a melhor coisa pra mim no sentido de crescimento pessoal. Amadureci muito. E doeu muito também (mas não é sempre assim, afinal?).

Acho que minhas lembranças da cidade sempre serão paradoxais... e sempre, sempre, terei no coração certas pessoas e certos momentos que marcaram.

Eu definitivamente encerrei esse período. E espero que meus posts fiquem menos sombrios a partir de agora. ^^

Um comentário:

Álex Hylaios disse...

Uau! Muito bom ler o post, Aileen. Me ajudou muito ^^,