(...)
Duas horas mais tarde, dirigindo-se para casa através das ruas escuras iluminadas apenas com o brilho dos letreiros, Eve acelerou seu carro além dos limites permitido por lei. A necessidade era uma lembrança constante latejando entre suas coxas, um desejo desesperado que precisava ser satisfeito.
- Você está quebrando a lei, tenente.-Roarke disse suavemente.
Era como uma rocha outra vez, se sentia como um adolescente que fazia uso de hormônios.
A mulher que se orgulhava de nunca abusar de seu emblema murmurou:
- Dobrando-a. - Roarke se inclinou e acariciou seus seios.
- Dobre mais.
- Oh Jesus.- Já podia imaginá-lo dentro dela, assim afundou o pé no acelerador e disparou pelas ruas como uma bala. O motorista de um carro aéreo ergueu seu dedo médio para Eve, quando ela fez uma curva brusca e se dirigiu para o leste. Com uma maldição, Eve ligou a sirene, instalando sobre o carro o globo vermelho e azul, fazendo-o piscar.
- Não posso acreditar que estou fazendo isto. Eu nunca fiz isso.
Roarke deslizou uma mão entre suas coxas.
- Sabe o que vou fazer com você?
Ela deu um risada rouca, engolindo em seco.
- Não me diga, PELO AMOR DE DEUS. Vou acabar nos matando!
As mãos coladas ao volante tremiam, seu corpo vibrava como uma corda tensa. Sua respiração estava entrecortada. As nuvens que ocultavam a lua deslizaram-se para deixar passar seu brilho.
- Use o controle para abrir os portões -ela arfou.-Use o controle. Eu não vou reduzir.
Ele codificou-o rapidamente. Aberto rapidamente os majestosos portões de ferro, ela passou a centímetros de ambos.
- Excelente trabalho. Pare o carro.
- Só um minuto, só um minuto.- Ela conduziu rapidamente pelo caminho da entrada, voando sobre as frondosas árvores e as fontes musicais.
- Pare o carro,- exigiu outra vez e pressionou a mão entre suas pernas.
Veio imediatamente, violentamente, mal conseguiu se manter na direção e quase colidindo com um carvalho. Arquejante, freou o veículo deslizando e parando-o inclinado sobre o chão.
Voou sobre ele.
Rasgaram suas roupas, lutando para se encontrar no interior estreito do carro. Mordeu seu ombro, arrancado suas calças. Ele amaldiçoava e ela ria, quando se arrastaram para fora do carro. Caíram na grama num redemoinho de membros e roupas retorcidas.
-Depressa. Depressa.- Era tudo que podia pedir pela tensão incontrolável.
Sua boca estava sobre seus seios através da camisa rasgada, os friccionava com seus dentes. Ela puxou suas calças, cravando os dedos em suas coxas. Sua respiração era rápida e áspera. A necessidade crua que o aprisionava era tão urgente quanto à dela. Podia sentir seu sangue rugindo, uma onda gigantesca, através de suas veias. Suas mãos a machucaram quando empurrou suas pernas para trás, e se dirigiram ao interior profundo.
Ela gritou. Um selvagem e primitivo som do prazer. Suas unhas raspando-lhe as costas, seus dentes fincados em seu ombro. Poderia senti-lo pulsar dentro dela, preenchendo-a com o cada impulso desesperado. A ascensão do orgasmo era dolorosa e não mitigava a necessidade monstruosa. Estava molhada, quente, seus músculos que se contraiam, bem como seus dentes, com cada estocada em seus quadris.
Ele não podia parar, não podia pensar, mergulhava repetidas vezes como um garanhão que cobre uma égua no cio. Não podia vê-la através da névoa vermelha que toldava sua visão, apenas a sentia, o acompanhando, pressionando seus quadris. Sua voz soava em seus ouvidos, toda gemidos, sussurros e arquejos.
Cada som que partia dela penetrava em sua mente como um canto primitivo.
Chegou sem aviso, além de seu controle. Seu corpo explodiu, simplesmente como um motor que chega a sua potência máxima, e descarregou. A onda quente da libertação o inundou, engolido-o, afogado-o. Era a primeira vez que não sabia se ela o acompanhara até o final. Desmoronou, rolando fraco para o lado, tentando encontrar ar para seus pulmões. Estavam ao luar, estendidos na grama, suados, meio despidos e trêmulos, como sobreviventes solitários de uma guerra particular. Com um gemido, ela rolou sobre seu estômago e deixou que a grama úmida refrescasse sua face ardente.
- Cristo, o que foi aquilo?
- Sob outras circunstâncias, eu chamaria de sexo. Mas... -Tentou abrir seus olhos. -Eu não tenho palavras para definir...
- Eu mordi você?
Ele começou a sentir dores à medida que corpo se recuperava. Virou sua cabeça, olhou de relance para seu ombro e viu a marca de dentes.
- Alguém o fez. Imagino que provavelmente você.
Observou uma estrela cadente, atravessando o céu em direção a terra. Tinha sido assim, ele pensou, como mergulhar cegamente no esquecimento.
- Você está bem?
- Não sei. Tenho que pensar sobre isso.
Sua cabeça ainda girava.
- Nós estamos no gramado,- disse lentamente. - Nossa roupa está rasgada. E tenho quase certeza que a marca de seus dedos está em meu traseiro.
- Eu fiz o meu melhor,- ele murmurou.
Eve sorriu primeiramente, em seguida soltou uma risada, e por fim gargalhava.
- Jesus, Roarke, Jesus Cristo, olhe para nós.
- Em um minuto. Acho que ainda estou parcialmente cego.- Mas estava sorrindo quando se virou. Ela ainda gargalhava. Seu cabelo tinha mechas arrepiadas em vários ângulos estranhos, seus olhos vidrados, havia manchas de grama e impressões de dedos em seu traseiro. – Você não parece uma policial, tenente.
Ela rolou para se sentar e o observou com a cabeça inclinada para o lado.
- Você tão pouco parece um menino rico, Roarke. – Rancou uma manga solta de seu braço, era a única coisa que restara da sua camisa. – Mas é uma visão interessante. Como é que vai explicar isso a Summerset?
- Vou dizer, simplesmente, que minha esposa é um animal.
Ela bufou.
- Ele já tinha chegado a esta conclusão sozinho.
Suspirando, olhou para a casa. As luzes brilhavam no andar térreo dando-lhes boas-vindas.
- Como iremos entrar?
- Bem...- Encontrou o que era os restos da camisa de Eve, amarrou-a em torno de seus seios, e começou a rir sem controle. Começaram a vestir as roupas arruinadas- Eu não posso carregá-la até o carro.Estava esperando que você me carregasse.
- Primeiro temos que nos levantar.
- Certo.
Nenhuns deles se moveu. As gargalhadas começaram outra vez, continuou enquanto se agarravam como bêbados em busca de apoio e se levantavam.
- Deixe o carro ai- ele decidiu.
- Uh-huh.
Começaram a andar com passos vacilantes.
- Roupa? Sapatos?
- Deixe-os também.
- Boa idéia.
Rindo como crianças que desobedeciam ao toque de recolher, tropeçaram escadas acima, silenciosos enquanto atravessavam a porta.
- Roarke!- seguiram-se murmúrios de surpresa e passos apressados.
- Eu sabia,- Eve murmurou aborrecida. – Eu disse.
Summerset apressou-se em sair das sombras, seu rosto normalmente plácido estava coberto de choque e preocupação. Observou suas roupas esfarrapadas, pele ferida e olhos selvagens.
- Foi um acidente?
Roarke empertigou-se, mantendo seu braço em torno dos ombros do Eve tanto para sustentá-la quanto para buscar apoio.
- Não. Foi proposital. Vá dormir, Summerset.
J.D. Robb - Êxtase Mortal
