Aqui estou eu, na posição de sempre: sentada na cama com o notebook no colo, minha forma preferida de escrever pensamentos. Que nessa semana tiveram um foco: tirar os véus da ilusão.
Eu passei esses últimos dois meses pensando em uma coisa de uma forma. E estava super contente, achando que tinha superado tudo, que estava tudo ótimo, porque aqui estou feliz.
E aí, essa semana, alguns fatos surgiram. E me fizeram olhar pra trás. Sabe quando você já sabia de uma coisa, mas não estava olhando corretamente pra ela?
Sei lá, acho que finalmente tirei tudo do pedestal. Eu passei muito tempo procurando não macular minhas lembranças, mas o choque da realidade finalmente bateu.
Perceber que não era tudo aquilo que eu tinha imaginado. Que no final das contas, eu já estava fazendo um esforço enorme pra recuperar o que foi um dia, com fotos, cartas, lembranças, sendo que era apenas uma forma de tentar trazer a perfeição de volta quando ela não existia mais...
O motivo não interessa mais (por mais que eu sempre queira entender tudo), interessa que aconteceu. Interessa que agora as palavras são pra outra pessoa, a perfeição é de outra pessoa, e pelo visto, ainda mais forte. E tudo bem, assim é a vida, não é verdade? Uma hora ou outra, eu também vou me apaixonar novamente, e aquelas palavras que um dia foram verdade pra você serão verdade pra ele.
Só que encarar a realidade, encarar de verdade, dói. Dói pelo ego ferido, por ver que você é uma pessoa melhor depois que eu fui embora da sua vida. Mas tudo bem, porque eu também acho que sou melhor agora. E você foi, sim, essencial para isso. Não tiro a importância de tudo, e não tenho raiva, não mais. Eu entendi, finalmente. A vida segue, cada um com seu tempo. Uma hora dessas, as lembranças ficarão mais distantes.
Por agora, pelo menos eu finalmente encarei o que eu tinha colocado lá no fundo. E o que se enterra, uma hora volta à tona. E isso veio pra ser curado, pra ir embora, pra que eu realmente fique pronta para o que vem pela frente.
Tudo isso eu já tinha escrito de outra forma, um tempo atrás. Mas a ficha não tinha caído completamente até essa semana. Até lembrar de tudo, até pensar com detalhes, até ver a diferença do que tivemos para o que você tem hoje. Um dia fomos importantes e especiais um para o outro. Você não era o homem da minha vida, mas foi o homem perfeito pra mim em um momento. Me fez enxergar muita coisa. Me fez sentir muita coisa. E refletir. Por isso, muito obrigada.
E com isso, eu encerro. Eu não falo mais de você. Eu me desligo e mudo. Eu finalmente me liberto de verdade.
domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Memórias da infância
Quando eu era criança, passava tardes debaixo do prédio brincando de pique-pega, sete pecados (aquele com a bola), nadando na piscina do prédio e ouvindo música infantil. Eu fazia cidades de formigas com caixas de papelão e, quando elas morriam, elas eram presas em algodão e colocadas em um cemitério.
Quando eu era criança, eu adorava brincar de Lego. Eu e meus primos montávamos cidades de Lego e passávamos dias criando histórias. Eu brincava de ser professora da minha prima e do meu irmão. Brincava de boneca com a Gaby, e vivíamos a fantasia de ser mães da Turma da Mônica em uma casa que ficava montada pelo tempo das férias, se pudesse. Também fazíamos cabaninhas de colchonete e dormíamos dentro dela. E às vezes, a Lady (cadelinha) entrava lá e tomava nosso lugar. Minhas Barbies tinham histórias contínuas e uma mala enorme de roupinhas que minha mãe me dava sempre.
Quando eu era criança, eu desfilei com fantasia de fada, com direito a varinha de condão. E a roupa ainda existe, e a sapatilha ainda serve em mim. Eu dancei Carmem Miranda na formatura do 3º período, cantei "Gosto de Você" no Dia das Mães da primeira série e "I Just Called to Say I Love You" na quarta série. Fiz aula de dança por muito tempo e apresentei até mesmo Backstreet Boys com o The Best Forever no Pin. E a gente ficou revoltada por não ter ganhado a competição! :P
Quando eu era criança, eu brincava de Xou da Xuxa com aquele microfone de cabelo amarelo e o Meu Primeiro Gradiente. Eu amava Trem da Alegria e cantava Balão Mágico com meu pai. Acabei herdando dos meus pais o gosto musical por Sá & Guarabyra, The Mamas and the Papas, The Carpenters e aquelas músicas que tocam na Antena 1 até hoje. Cresci ouvindo, cantando e dançando um monte de coisa diferente.
Quando eu era criança, eu adorava pintar minhas unhas com esmaltes coloridos. Uma unha de cada cor, muitas vezes. Também passava batons diferentes, às vezes até misturava: em cima preto, embaixo roxo. Com dez anos eu já amava usar batom vermelho. E tinha uma mecha loira absurdamente grande na franja - que eu amava e não achava nada ridícula, mesmo que hoje eu veja as fotos e pense: "putz!"
Quando eu era criança, eu queria ter um amigo imaginário, porque eu ouvia minha mãe contar do que minha tia tinha. Acabei inventando um amigo imaginário, e me divertia bastante com a minha invenção. Eu também inventei uma irmã gêmea, extremamente exibida e esnobe, que usava o cabelo de lado e mascava chiclete de boca aberta e achava isso lindo. Ela não durou muito.
Quando eu era criança, eu tive um monte de animaizinhos de estimação, mas quase sempre eles foram embora. Pato, pintinho, coelho, cachorro, hamster, porquinho da índia... um monte de gente passou pelas nossas casas. De todos, o único que ficou mais tempo foi o Kiru, que está há quase 15 anos com a gente. Nem todas as lembranças dos bichinhos que se foram são boas. Houve momentos tensos, que acho até que minha mente se recusa a lembrar direito.
Quando eu era criança, eu pedi um irmãozinho pra minha mãe. Aí ele veio, e eu disse pra ela que eu queria era uma irmãzinha. Até tentei fazer ele se afogar uma vez, chamando minha mãe na cozinha no meio do banho dele. Tadinho.
Quando eu era criança, eu e minha prima revezávamos dias pra usar roupas uma da outra. Um dia as duas usávamos roupa minha, no outro roupa dela. E sempre, se uma estava de vestido, a outra também. E eu adorava que me vissem linda, bem vestida e arrumada. Minha mãe diz que, com meus 3 anos, por aí, eu esperava todo mundo me ver, me elogiar, e depois pedia pra ela tirar meus enfeites.
Eu já gostava de ler, e meu personagem favorito da Turma da Mônica sempre foi o Cebolinha. Eu morria de rir com as historinhas do Louco e, uma vez, vi um desenho de uma menininha e disse que era eu na revistinha (como eu lembro disso?).
Quando eu era criança, eu gostava de inventar moda. Já curtia calças largas e macacão, usava boné pra trás e me sentia a adulta. E mesmo vestida mais largadinha, estava sempre de batom.
Quando eu era criança, eu brincava que era sereia, princesa, fada. No caminho de Passos pra BH, a gente sempre passava por uma loja de móveis que tinha o formato de um castelo, e eu queria muito entrar lá. Sempre quis entrar em um castelo... e sempre adorei magia e fantasia.
Tenho me lembrado de mais coisas da infância esses dias, e escrevo aqui pra honrar esse passado. A infância é um período da minha vida que eu guardo com muito carinho e amor. Ainda ouço músicas infantis e me transporto pra esse tempo de inocência e sem preocupações. E deixo minha criança interior brincar um pouquinho... porque afinal, todo mundo precisa de um pouco dessa criança, em qualquer fase da vida. Não o tempo todo, não para tudo. Mas brincar e rir, lembrar daquela inocência feliz, é muito gostoso! =)
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