quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mudanças...

Cinco meses atrás, eu estava completamente dividida. Não sabia se ia embora, se ficava. Tinha os caminhos abertos pra ir e pra ficar. Estava feliz lá e aqui, mesmo que sempre desse uma dorzinha de ir embora de lá.

E aí eu decidi o que fazer. E tenho a impressão de que as coisas começaram a se moldar a partir da minha decisão.

Tanta coisa mudou em tão pouco tempo. Ilusões se desfizeram, pessoas se afastaram, caminhos se fecharam. Sinto cada vez mais vontade de ir embora. Não tem muita coisa que me prende a Rio Grande, na verdade. Quase nada. E o peso disso às vezes fica bem grande.

O lance é que o peso do que me prende também é muito grande. Eu poderia ir embora agora, mas pensar nisso também dói.

Semana passada eu me mudei de casa, de novo. Tava sentindo uma necessidade de mudança. Ainda não é a graaande mudança, mas acho que eu precisava dela. Voltei pra kitnet do ano passado, pequenininha e com vizinhos barulhentos do lado. E mesmo querendo essa mudança, sabendo ser necessária, estava custando a aceitar.

E aí percebi que estava mesmo era relutando em aceitar ficar sozinha. A gente se acostuma com certas coisas... mas eu vi que tava errando nisso. E se eu resolvesse ir embora agora não ia resolver nada. Porque tem certas horas em que a gente tem que ficar sozinha mesmo, e cuidar da gente, e lembrar que ficamos bem sozinhos, também.

Eu ando me sentindo um pouco como Kore qdo ela chegou no Submundo. Um tanto perdida, sozinha, com um porto seguro e só ele. Com uma vontade absurda de voltar para o familiar, pro conforto da Terra.

Kore se tornou Rainha do Submundo e também Rainha de si mesma quando aprendeu a lidar com tudo isso. E eu achei que tinha conseguido lidar com a solidão e todo o resto. Que tinha passado a fase de tudo. Mas na verdade, tudo isso voltou... e eu, que achava que tinha ficado completamente familiar com o Submundo, percebi que estou como Kore de novo. Como uma criança meio perdida.

Eu fiz a minha escolha e agora, mais do que nunca, sei que não tem volta. Os caminhos se fecharam aqui e estão se abrindo lá. E eu escolhi ficar mais um pouco, apenas. O suficiente pra deixar tudo em ordem, reforçar as bases de certas coisas e não deixar pendências. E lidar com as coisas que sei que preciso lidar sozinha, mesmo que seja difícil. Também seria muito difícil ir embora agora.

Então é hora de deixar a criança Kore crescer e Perséfone voltar.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Das ligações chatas

Telefone toca.

- Alô?
- Senhora Janice, aqui é o Fulano, do Bradesco, temos um cartão assim e assado.....
- Olha, Fulano, eu não tenho interesse.
- Mas o cartão tem essas e essas e mais essas vantagens....
- Eu realmente não tenho interesse.

Fulano fala, e fala, e não para de falardas vantagens do cartão e de como eu posso gerenciar os gastos e bla bla bla. Digo pra ele q tô quase desligando na cara dele pq eu não quero mesmo o cartão.

- Mas vc não vai fazer isso né, Sra Janice?
- Se vc continuar insistindo vou sim.

Mas eu falei simpaticamente, o tempo todo.
E ele continua tentando, e me perguntando por que eu não quero um cartão melhor q o meu, e bla bla bla bla... eu enchi o saco e disse:

- Então tá, Fulano, já q vc não quer se despedir de mim, eu vou me despedir de vc. Obrigada pela sua ligação, eu realmente não quero o cartão, tenha uma boa tarde. Tchau!

E desliguei antes de ouvir a resposta. :P

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mabon

Chegou o Equinócio!

Ahhh!!! A Primavera. Aqui no Sul, o frio finalmente começa a ceder. O Sol vai tomando o lugar, começamos a diminuir o tanto de roupas que usamos. Menos preguiça de sair, de levantar da cama quentinha, de tomar banho... hihihi.

Mas o Equinócio, pra mim, é tempo de colheita. É tempo de olhar pra trás e ver como foi meu ano, o que consegui colher de todas as coisas que plantei. E, refletindo a respeito disso, estou bastante satisfeita com minha colheita.

Eu plantei felicidade, paixão, Amor, diversão e segurança. Plantei música, cura e plenitude. E tudo isso eu colhi.

Se foi fácil? Não. Nenhuma das sementes germinou rapidamente. Foi preciso luta, foi preciso descobrir o que me fazia feliz, o que trazia plenitude. Foi preciso me perder um pouquinho pra me reencontrar... foi difícil, mas valeu a pena.

Neste Mabon, eu agradeço as bênçãos da minha Roda pessoal também. Meus 26 aninhos recém feitos.

Encerrei minha Roda pessoal com um presente: saber como seria se meus mundos se unissem. Em uma palavra, seria... completo.

Uma parte muito importante da minha vida atualmente tá aqui, no meu Submundo, um motivo enorme pra eu querer ficar um pouco mais. Mas, sempre que estou aqui, sinto como se faltasse algo. Na verdade, falta. Não é só impressão.

E, de tantos presentes que eu ganhei nessa Roda, sentir a união dos meus mundos foi um dos grandes. Senti que não faltou mais nada, ali, nessa breve união. Plenitude.

Sei que vários fatores interferem nisso, e Perséfone acaba sempre tendo que escolher uma alegria e uma tristeza pra conviver. Mas Aset um dia conseguiu unir seus mundos e alcançar sua plenitude. E sei que Ela também faz isso com seus devotos. Tudo tem seu tempo e não existem coincidências. Pra cada escolha, há um preço a pagar. Saber esse preço e ter certeza da sua escolha é, também, uma bênção.

E estar aqui, no Submundo, foi essencial para que eu descobrisse tantas e tantas coisas que me fazem feliz. Por isso, sou grata. Sou grata pelas dificuldades que passei e por todas as coisas que conquistei.

Agora no Equinócio de Primavera, celebro o Equilíbrio em minha vida e as conquistas do Ano. Celebro a vida, celebro a volta do calor. Celebro o Amor.

domingo, 14 de agosto de 2011

Para todo mal, a Cura

Ah, o Submundo. Um paradoxo.

Ele já faz parte de mim. Eu tenho um pedacinho do meu coração nesse lugar, o responsável pela escuridão na minha vida. O responsável pela minha dor e pela saudade, mas também pelo meu crescimento, pelo meu amadurecimento, pela cura das minhas feridas. A luz na minha vida.

Porque é só quando a gente mergulha fundo que percebe as coisas lá, lá dentro que achava que não existiam mais. Eu percebi, encontrei todas, e finalmente elas foram curadas. Tudo aqui, no Submundo.

Talvez em outro lugar eu não achasse tudo isso. Talvez, em outro lugar, eu não vivesse o que precisava pra me libertar dessas feridas, pra cicatrizá-las de uma vez por todas. Não existem coincidências, eu acredito muito nisso. Cada vez mais.

Estou novamente encerrando um ciclo. Encerrando uma fase muito, muito longa na minha vida. Como se algo te apertasse há tanto tempo que vc nem lembrava mais q incomodava, e quando aquilo sai, é um alívio, uma sensação de leveza. Às vezes parece até que vc perdeu uma parte de si, até dói. Dá medo. Mas é bom.

Não sei se tudo vai mudar com isso, mas definitivamente, muita coisa vai ser diferente. Na minha postura, na minha auto-estima, na minha forma de lidar com certas situações. Um nó, o maior deles, finalmente se desfez. Outros nós, menores, virão à tona, porque sempre tem uma ou outra coisa que a gente pode melhorar.

Mas com a Lua Cheia, veio uma promessa. E uma sensação de felicidade. Uma coisa que ainda não caiu a ficha direito, acho. Mas que bom que tá acontecendo. ^^

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Feridas Abertas

É como dizem: "Ignorance is bliss."

Ignorância é algo que não é possível no caminho que eu trilho. Não: as coisas vão se iluminando, iluminando, até que tudo seja mostrado. Nada fique escondido. E nessa brincadeira, um monte de coisinhas andaram sendo mostradas sobre mim mesma nos últimos tempos.

Esse último mês foi cheio de surpresas. Mas o curioso de tudo foi que eu não me surpreendi com os outros, e sim comigo mesma. Excessos, reações exacerbadas e certos arrependimentos.

Quando parei pra ver quantas coisas eu queria mudar nas minhas atitudes do último mês... well, são muitas, mas nada pode ser mudado.

O que eu parei pra refletir foi nos motivos pelos quais eu fiz algumas coisas. Algumas delas eu não tenho certeza ainda, mas outras... bom, percebi que muita coisa que eu achava que já tinha superado na vida não foi. Estavam só ali, bem no fundo, escondidas em cantinhos escuros, e finalmente foram iluminadas. Eram feridas, que agora se abriram.

E é claro que toda ferida aberta dói, principalmente quando vc achava que já tinha se curado. Mas algumas feridas precisam ser abertas pra que possam cicatrizar devidamente e realmente se curarem, não é verdade?

Pois é... eu ainda estou em busca da cura. Não tenho certeza do melhor remédio pra elas ainda. Mas sei que vai ser um processo demorado. Sei que as últimas coisas que aconteceram foram cruciais pra que eu percebesse essas feridas. E, nossa, como eu preciso dessa cura. Como eu quero essa cura.

E eu passei um tempo fugindo do que eu sabia que precisava, ou talvez eu precisasse do auge pra que eu finalmente fazer o que eu preciso: refletir. Parar de fugir dos meus pensamentos, parar de projetar coisas onde não devo. Ficar no meu cantinho, eu comigo mesma.

E eu reflito e percebo coisinhas sobre Rio Grande. Sobre coisas efêmeras. Sobre o pouco que vai ficar quando eu fôr embora. Sobre quem e o que realmente importa.

Ah, como tudo muda tão rápido...

domingo, 29 de maio de 2011

Respostas

Ah, eu adoro esse blog!!!

É tão divertido, sempre eu posto algo sobre o qual estou confusa, a resposta vem assim, rapidinho.

E lá estão os meus caminhos, agora claros.

Ontem mesmo tive a resposta que precisava pra saber por que caminho seguir. E o caminho é o do RESPEITO.

É isso ai.

E o mais legal é que eu estava me condenando pelas minhas escolhas, mas ei, foram as MINHAS escolhas, completamente conscientes. Fiz minhas escolhas, e bom, as outras pessoas também fazem suas escolhas.

E fazendo escolhas nós vamos traçando nosso rumo.

Confesso que, nos últimos tempos, fui percebendo em mim várias coisas que achava que já não existiam. Atitudes que eu tomava anos atrás, que pararam, e voltaram. E esse processo foi beeem chatinho. Mas foi libertador. Depois de tudo, percebi onde fica o meu controle.

Percebi que não se encontra chocolate em strogonoff, mas que vc pode aproveitar strogonoff. Sim, se vc sabe que ele não é um chocolate, ele fica até bem aproveitável. Até que o strogonoff caia no chão, derrame todo e aí vc pensa: estragou, agora chega de strogonoff.

Bom... o que acontece é q eu entrei no momento oposto ao do meu início de ano. Em janeiro, eu estava sozinha, cansada de ficar só em casa, de não ter nada pra fazer, procurando o que fazer, pessoas pra sair e tal. Agora, a impressão é de que eu não tô conseguindo parar. Quando quero, não posso porque tenho coisas pra fazer. Preciso de um tempo pra ficar eu e meus pensamentos, na minha casinha. Focar no interno de novo. Procurar entender direitinho tudo que anda se passando na minha mente. Pra, assim, parar de querer sair correndo.

Reencontrar meu equilíbrio. A força eu já reencontrei. Ufa!

sábado, 28 de maio de 2011

Racionalizando

Ah, a mente humana.

Ou: ah, a minha mente.

Ser racional demais às vezes incomoda. Uma coisa que sempre foi muito forte em mim foi a indecisão. Eu sempre penso em todas as coisas de todos os lados de uma situação, e vejo o bom e o ruim dos dois lados. Isso faz de mim uma pessoa muito justa (eu pelo menos acho que sou bastante justa), mas também me faz uma pessoa muito confusa.

Se vc pegar dois pedaços iguais de chocolate e me pedir pra escolher, eu vou ficar sem saber qual pegar. Se vc me oferecer duas canetas azuis, eu também não saberei qual delas usar. Um tanto quanto idiota, eu sei. Mas bom, assim são as coisas. E nisso eu me forço a escolher.

Mas eis que esse meu modo de racionalizar as coisas andou pegando coisinhas chatas ultimamente.

Primeiro, foi a decisão sobre ficar em Rio Grande ou voltar pra Brasília depois do mestrado. E eu pensei, e pensei, e pensei. E bom, muitos já sabem qual foi a minha decisão.

Mas bem, agora que essa questão foi resolvida, outras coisas estão tomando conta da minha mente.

Sabe quando vc descobre que existe algo em vc e não tem certeza do que fazer a respeito? Sei lá. Eu percebo vários caminhos que eu posso seguir a respeito disso. Vejo um caminho onde há muitas coisas agradáveis e pode terminar em um precipício. Vejo também um caminho cheio de pedrinhas e obstáculos, vento, chuva, mas que termina num lago brilhante e lindo.

Aí eu olho pra estrada que eu já segui. Vejo o precipício no qual eu quaaase caí, e como aquele caminho é semelhante a um dos que está agora aqui, na minha frente. E eu penso: poxa, já passei por isso, já sei o que dá, por que é que ainda quero passar por aqui? Será que toda a paisagem bonita compensa o precipício que pode haver no fim? Ou será melhor ir pelas pedras pra chegar até o lago?

De qualquer forma, há uma intersecção, um momento em que os dois caminhos se tornam um só. E, se isso vai acontecer, por que não ir pelo caminho agradável, tropeçando aqui e ali? Pedras e pedras até a intersecção, será melhor? Será q eu vou chegar lá na intersecção e pensar que deveria ter ido pelo outro caminho?

E aí acho que uma parte de mim tá num auto-sabotamento, arrumando motivos pra fazer o que quero e não o que devo. Ou quem sabe é hora de uma nova lição? Sei lá. Tô confusa. Lá no fundo, eu sei qual deve ser o melhor caminho. Mas quem sabe, tendo certeza da intersecção, eu saiba lidar melhor com o outro?

Sei lá. Espero saber logo.

sábado, 14 de maio de 2011

Mudanças...

Aqui estou eu, em plena sexta-feira 13, em casa. De vez em quando é bom ficar quietinha num canto, né? Sei lá, acho q precisei disso. Essa semana não foi tão agitada socialmente.

Confesso, senti falta. Hoje e terça fiquei em casa à noite pensando em como o Saloon devia estar super divertido. Senti falta da minha companhia fiel de Saloon, que andou quietinha como eu, também.

Bom, mas... foi uma boa semana. Coisas se clarearam na minha cabeça, máscaras caíram. Coisas que precisavam de atenção apareceram. Percebi uma coisa muito, muito importante e profunda que precisa de trabalho interno... feridas que precisam ser curadas.

Ao final disso tudo, percebi que essa é uma das grandes mudanças da minha vida. Marquei essa mudança interna com uma externa: troquei o piercing do nariz por uma argolinha e fiz uma tatuagem pras minhas Deusas queridas, Hethert e Nut! =)


Isso me deu um pique novo. Fiquei empolgadíssima com a nova tatuagem, apaixonada por ela. Aí, hoje chegou meu Kindle fofo e eu estou aqui, namorando ele também. =D

Nova fase. Estou muito, muito perto mesmo de decidir meu caminho (se é que já não decidi e tô só relutando em dizer em voz alta). Estou encarando coisas que eu não achava que eram problemas e descobri que o são, coisas internas. Estou aprendendo a diferenciar o efêmero do duradouro, o que vale e não vale a pena. O que vai ficar, mesmo quando todo o resto fôr embora.

Tudo está clareando pra mim. Claaaro que no momento em que isso acontece, é bem foda, mas por mais q seja foda agora, depois vai ficar muito melhor.

Não vejo a hora! =)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Êxtase Mortal - Para Beltane

Leia ouvindo:



(...)
Duas horas mais tarde, dirigindo-se para casa através das ruas escuras iluminadas apenas com o brilho dos letreiros, Eve acelerou seu carro além dos limites permitido por lei. A necessidade era uma lembrança constante latejando entre suas coxas, um desejo desesperado que precisava ser satisfeito.

- Você está quebrando a lei, tenente.-Roarke disse suavemente.

Era como uma rocha outra vez, se sentia como um adolescente que fazia uso de hormônios.

A mulher que se orgulhava de nunca abusar de seu emblema murmurou:

- Dobrando-a. - Roarke se inclinou e acariciou seus seios.

- Dobre mais.

- Oh Jesus.- Já podia imaginá-lo dentro dela, assim afundou o pé no acelerador e disparou pelas ruas como uma bala. O motorista de um carro aéreo ergueu seu dedo médio para Eve, quando ela fez uma curva brusca e se dirigiu para o leste. Com uma maldição, Eve ligou a sirene, instalando sobre o carro o globo vermelho e azul, fazendo-o piscar.

- Não posso acreditar que estou fazendo isto. Eu nunca fiz isso.

Roarke deslizou uma mão entre suas coxas.

- Sabe o que vou fazer com você?

Ela deu um risada rouca, engolindo em seco.

- Não me diga, PELO AMOR DE DEUS. Vou acabar nos matando!

As mãos coladas ao volante tremiam, seu corpo vibrava como uma corda tensa. Sua respiração estava entrecortada. As nuvens que ocultavam a lua deslizaram-se para deixar passar seu brilho.

- Use o controle para abrir os portões -ela arfou.-Use o controle. Eu não vou reduzir.

Ele codificou-o rapidamente. Aberto rapidamente os majestosos portões de ferro, ela passou a centímetros de ambos.

- Excelente trabalho. Pare o carro.

- Só um minuto, só um minuto.- Ela conduziu rapidamente pelo caminho da entrada, voando sobre as frondosas árvores e as fontes musicais.

- Pare o carro,- exigiu outra vez e pressionou a mão entre suas pernas.

Veio imediatamente, violentamente, mal conseguiu se manter na direção e quase colidindo com um carvalho. Arquejante, freou o veículo deslizando e parando-o inclinado sobre o chão.

Voou sobre ele.

Rasgaram suas roupas, lutando para se encontrar no interior estreito do carro. Mordeu seu ombro, arrancado suas calças. Ele amaldiçoava e ela ria, quando se arrastaram para fora do carro. Caíram na grama num redemoinho de membros e roupas retorcidas.

-Depressa. Depressa.- Era tudo que podia pedir pela tensão incontrolável.

Sua boca estava sobre seus seios através da camisa rasgada, os friccionava com seus dentes. Ela puxou suas calças, cravando os dedos em suas coxas. Sua respiração era rápida e áspera. A necessidade crua que o aprisionava era tão urgente quanto à dela. Podia sentir seu sangue rugindo, uma onda gigantesca, através de suas veias. Suas mãos a machucaram quando empurrou suas pernas para trás, e se dirigiram ao interior profundo.

Ela gritou. Um selvagem e primitivo som do prazer. Suas unhas raspando-lhe as costas, seus dentes fincados em seu ombro. Poderia senti-lo pulsar dentro dela, preenchendo-a com o cada impulso desesperado. A ascensão do orgasmo era dolorosa e não mitigava a necessidade monstruosa. Estava molhada, quente, seus músculos que se contraiam, bem como seus dentes, com cada estocada em seus quadris.

Ele não podia parar, não podia pensar, mergulhava repetidas vezes como um garanhão que cobre uma égua no cio. Não podia vê-la através da névoa vermelha que toldava sua visão, apenas a sentia, o acompanhando, pressionando seus quadris. Sua voz soava em seus ouvidos, toda gemidos, sussurros e arquejos.

Cada som que partia dela penetrava em sua mente como um canto primitivo.

Chegou sem aviso, além de seu controle. Seu corpo explodiu, simplesmente como um motor que chega a sua potência máxima, e descarregou. A onda quente da libertação o inundou, engolido-o, afogado-o. Era a primeira vez que não sabia se ela o acompanhara até o final. Desmoronou, rolando fraco para o lado, tentando encontrar ar para seus pulmões. Estavam ao luar, estendidos na grama, suados, meio despidos e trêmulos, como sobreviventes solitários de uma guerra particular. Com um gemido, ela rolou sobre seu estômago e deixou que a grama úmida refrescasse sua face ardente.

- Cristo, o que foi aquilo?

- Sob outras circunstâncias, eu chamaria de sexo. Mas... -Tentou abrir seus olhos. -Eu não tenho palavras para definir...

- Eu mordi você?

Ele começou a sentir dores à medida que corpo se recuperava. Virou sua cabeça, olhou de relance para seu ombro e viu a marca de dentes.

- Alguém o fez. Imagino que provavelmente você.

Observou uma estrela cadente, atravessando o céu em direção a terra. Tinha sido assim, ele pensou, como mergulhar cegamente no esquecimento.

- Você está bem?

- Não sei. Tenho que pensar sobre isso.

Sua cabeça ainda girava.

- Nós estamos no gramado,- disse lentamente. - Nossa roupa está rasgada. E tenho quase certeza que a marca de seus dedos está em meu traseiro.

- Eu fiz o meu melhor,- ele murmurou.

Eve sorriu primeiramente, em seguida soltou uma risada, e por fim gargalhava.

- Jesus, Roarke, Jesus Cristo, olhe para nós.

- Em um minuto. Acho que ainda estou parcialmente cego.- Mas estava sorrindo quando se virou. Ela ainda gargalhava. Seu cabelo tinha mechas arrepiadas em vários ângulos estranhos, seus olhos vidrados, havia manchas de grama e impressões de dedos em seu traseiro. – Você não parece uma policial, tenente.

Ela rolou para se sentar e o observou com a cabeça inclinada para o lado.

- Você tão pouco parece um menino rico, Roarke. – Rancou uma manga solta de seu braço, era a única coisa que restara da sua camisa. – Mas é uma visão interessante. Como é que vai explicar isso a Summerset?

- Vou dizer, simplesmente, que minha esposa é um animal.

Ela bufou.

- Ele já tinha chegado a esta conclusão sozinho.

Suspirando, olhou para a casa. As luzes brilhavam no andar térreo dando-lhes boas-vindas.

- Como iremos entrar?

- Bem...- Encontrou o que era os restos da camisa de Eve, amarrou-a em torno de seus seios, e começou a rir sem controle. Começaram a vestir as roupas arruinadas- Eu não posso carregá-la até o carro.Estava esperando que você me carregasse.

- Primeiro temos que nos levantar.

- Certo.

Nenhuns deles se moveu. As gargalhadas começaram outra vez, continuou enquanto se agarravam como bêbados em busca de apoio e se levantavam.

- Deixe o carro ai- ele decidiu.

- Uh-huh.

Começaram a andar com passos vacilantes.

- Roupa? Sapatos?

- Deixe-os também.

- Boa idéia.

Rindo como crianças que desobedeciam ao toque de recolher, tropeçaram escadas acima, silenciosos enquanto atravessavam a porta.

- Roarke!- seguiram-se murmúrios de surpresa e passos apressados.

- Eu sabia,- Eve murmurou aborrecida. – Eu disse.

Summerset apressou-se em sair das sombras, seu rosto normalmente plácido estava coberto de choque e preocupação. Observou suas roupas esfarrapadas, pele ferida e olhos selvagens.

- Foi um acidente?

Roarke empertigou-se, mantendo seu braço em torno dos ombros do Eve tanto para sustentá-la quanto para buscar apoio.

- Não. Foi proposital. Vá dormir, Summerset.

J.D. Robb - Êxtase Mortal

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Perséfone

Não sei se todos sabem, mas Perséfone é a Deusa grega que foi raptada por Hades (nos mitos patriarcais) e se tornou Rainha do Submundo. Seu mito explica as Quatro Estações, sendo a Primavera e o Verão quando a Deusa está com sua mãe (Deméter) na Terra e o Outono e o Inverno quando ela está com Hades no Submundo (Mais na Wikipedia).




Perséfone é uma Deusa que vive entre os mundos. Ela tem o que ama sempre dividido entre dois lugares. Quando está na Terra, no conforto de sua mãe, ela está sem seu Amor, Hades; quando está no Submundo, ela está sem o conforto e o apoio de sua mãe.

Fácil perceber como me identifico com isso, não? Brasília, Belo Horizonte, Rio Grande. Lugares que eu aprendi a amar, lugares que me proporcionam coisas boas, todas diferentes em cada lugar.

Eu costumava pensar que Perséfone tinha dois lares, um na Terra e um no Submundo. Mas, com minha vivência toda, eu comecei a refletir sobre outros aspectos.

Kore chegou no Submundo sem conhecer nada, com medo de tudo, com tantas coisas novas. Mas ali Ela cresceu, amadureceu, se tornou Rainha de Si mesma e, depois, Rainha do Submundo. Ela construiu sua vida ali, com seu Amor. Juntos, eles tornaram o reino dos mortos um lugar melhor. Perséfone tornou o Submundo seu Lar.

"Here, in this dark uncanny world, I remember the sunny Earth as one might remember a dream. I long for it, as one longs for music, in a world of silence."

Mas a saudade de casa sempre vem. E de vez em quando aperta, a ponto de achar que a vida na Terra será muito melhor que a do Submundo. E ela sente vontade de voltar... voltar para o conforto de sua Mãe, para a proteção, para a tranquilidade.

"Yet once I am back on the Earth again, surrounded by the comforting and familiar, it is your absence that gnaws at me like a ravenous bird. Then the lack of you expands in me like a void, and the knowledge that you are here, that you love me, that you eagerly await me, is achingly precious."

Mas... como ficar para sempre longe do seu Lar? Como abandonar tudo aquilo que foi construído, e ainda está sendo construído? Como deixar o reino que ela aprendeu a Amar?

Afinal, foi naquele lugar que ela amadureceu. Se não fosse pelo Submundo, ela seria ainda Kore, a donzela inocente que não conhecia quase nada. E ela gosta do que se tornou sem a proteção de sua mãe. Ela gosta do desafio de estar longe de casa, mesmo que doa um pouquinho.

É... ser Perséfone nem sempre é fácil. Sempre dividida entre os mundos, entre o conforto e o crescimento, entre o familiar e o desafio, entre Deméter e Hades. Talvez fosse realmente mais fácil escolher apenas um e permanecer ali, mas ela sabe que isso não é possível. Sua natureza é a de transitar entre os dois mundos, e sentir a felicidade e a tristeza de estar com uma coisa que se ama de cada vez. Há uma certa magia em permanecer um pouquinho em cada lugar, em aprender a caminhar nas Sombras.

"Thus my joys are tainted with sadness in the spring when I leave you always to return. And my sadness is mingled with joy in the autumn when I return - always and ever to leave you."

“Aqui, nesse mundo escuro, eu me lembro da Terra ensolarada como alguém se lembra de um sonho. Anseio por isso, como alguém anseia por música em um mundo de silêncio. Ainda assim, quando estou de volta à Terra, circundada pelo confortável e familiar, é sua ausência que me consume como um pássaro esfomeado. Então, a falta de você se expande em mim como um vácuo, e o conhecimento de que você está aqui, de q vc me ama, que vc avidamente espera por mim, é dolorosamente precioso.

Então, minhas alegrias são manchadas com tristeza na primavera quando te deixo para sempre voltar. E minha tristeza é misturada com alegria no outono quanto eu volto – sempre e eternamente para deixá-lo.”