domingo, 29 de abril de 2012

Falsa perfeição

Aqui estou eu, na posição de sempre: sentada na cama com o notebook no colo, minha forma preferida de escrever pensamentos. Que nessa semana tiveram um foco: tirar os véus da ilusão.

Eu passei esses últimos dois meses pensando em uma coisa de uma forma. E estava super contente, achando que tinha superado tudo, que estava tudo ótimo, porque aqui estou feliz.

E aí, essa semana, alguns fatos surgiram. E me fizeram olhar pra trás. Sabe quando você já sabia de uma coisa, mas não estava olhando corretamente pra ela?

Sei lá, acho que finalmente tirei tudo do pedestal. Eu passei muito tempo procurando não macular minhas lembranças, mas o choque da realidade finalmente bateu.

Perceber que não era tudo aquilo que eu tinha imaginado. Que no final das contas, eu já estava fazendo um esforço enorme pra recuperar o que foi um dia, com fotos, cartas, lembranças, sendo que era apenas uma forma de tentar trazer a perfeição de volta quando ela não existia mais...

O motivo não interessa mais (por mais que eu sempre queira entender tudo), interessa que aconteceu. Interessa que agora as palavras são pra outra pessoa, a perfeição é de outra pessoa, e pelo visto, ainda mais forte. E tudo bem, assim é a vida, não é verdade? Uma hora ou outra, eu também vou me apaixonar novamente, e aquelas palavras que um dia foram verdade pra você serão verdade pra ele.

Só que encarar a realidade, encarar de verdade, dói. Dói pelo ego ferido, por ver que você é uma pessoa melhor depois que eu fui embora da sua vida. Mas tudo bem, porque eu também acho que sou melhor agora. E você foi, sim, essencial para isso. Não tiro a importância de tudo, e não tenho raiva, não mais. Eu entendi, finalmente. A vida segue, cada um com seu tempo. Uma hora dessas, as lembranças ficarão mais distantes.

Por agora, pelo menos eu finalmente encarei o que eu tinha colocado lá no fundo. E o que se enterra, uma hora volta à tona. E isso veio pra ser curado, pra ir embora, pra que eu realmente fique pronta para o que vem pela frente.

Tudo isso eu já tinha escrito de outra forma, um tempo atrás. Mas a ficha não tinha caído completamente até essa semana. Até lembrar de tudo, até pensar com detalhes, até ver a diferença do que tivemos para o que você tem hoje. Um dia fomos importantes e especiais um para o outro. Você não era o homem da minha vida, mas foi o homem perfeito pra mim em um momento. Me fez enxergar muita coisa. Me fez sentir muita coisa. E refletir. Por isso, muito obrigada.

E com isso, eu encerro. Eu não falo mais de você. Eu me desligo e mudo. Eu finalmente me liberto de verdade.

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