quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Presentes e retiradas


Eu ia esperar. Ia postar aqui só no dia que a TCS, Tradição de Wicca da qual faço parte, celebra Aset e Wesir. Mas eu resolvi que preciso me expressar um pouco.

Aset é minha mãe. E as mães de vez em quando nos dão duras lições. Mas às vezes... às vezes parece que elas até sacaneiam. Um exemplo? Eu.

Os Deuses me mandaram para Rio Grande - RS. Longe, sozinha, conhecendo um monte de coisas novas. Enquanto a gente conhece, tudo é novo e legal, mas passa um tempo e a solidão aperta. Ok, aí a Deusa me trouxe amigos e amigas. E me trouxe também um namorado.

E eu achava que tinha encontrado quem eu queria... e consegui viver uma coisa que eu sempre quis (ou pelo menos achava q era isso) por... bom, dois meses. Até tudo desabar. E aí eu até escrevi no ano passado sobre a dor e a perda de Aset, que eu também estava sentindo. Ok. Terminei o namoro, mas eu tinha os amigos e as amigas. E eu me aproximei muito de algumas dessas pessoas.

Mas... algo me dizia que muito do que eu estava vivendo em 2011 seria efêmero, que não duraria. Eu estava amando tudo, estava cantando, saindo, me divertindo, e ainda assim, decidi vir pra Brasília. Voltar, depois de anos longe de casa. Mas as coisas ainda estavam legais.

E então... em algum momento, assim, sem eu entender direito por que, os caminhos começaram a se fechar. Os amigos começaram a se afastar. Tudo estava dando certo em relação ao mestrado, mas por outro lado, eu me sentia cada vez mais sozinha.

Mas a Deusa não ia me deixar totalmente sozinha, então ela colocou uma pessoinha extremamente especial na minha vida. Um Amor tão grande, tão perfeito. Grande ironia da vida, não é? Resolvo ir embora e encontro o amor da minha vida. Dessa vez, não era uma ilusão.

E assim passaram-se seis meses de solidão e Amor, e meu aspecto Perséfone falando cada vez mais alto. E o Sul se tornando cada vez mais um lugar em que eu não teria condições de ficar, nem mesmo por esse grande amor. E aí... finalmente eu tive que partir. E um relacionamento perfeito não continuaria assim à distância... e teve que ter um fim.

E nesse momento eu penso no quanto isso é ruim. No quanto ainda dói. Os Deuses me mandaram pra PQP por um monte de motivos, ok. E eu tinha uma amizade tão bonita com uma pessoa, que de repente, assim, se acabou. Ficou na lembrança. E eu tinha o meu Amor. Aset me mandou um presente, sim. Me mandou a pessoa que eu sempre quis. O Amor dos meus sonhos. Aquele que eu queria pra sempre. Pra ele ter que ficar, e eu ter que ir embora.

Eu entendo, entendo bem o que Ela quis com isso. Mas, sinceramente? Está difícil de aceitar. Não estou exatamente com raiva dela... eu só estou um tanto chateada. Poxa, tudo bem, muito legal eu viver uma coisa linda, mas caramba, tinha que ser com alguém que era tudo que eu queria pra sempre? Passei dois anos lá naquele lugar, distante de tanta gente que eu amo, de tanta coisa, pra ficar tudo, TUDO pra trás. Tá doendo. Tá doendo porque eu não queria perder essa grande amizade. Tá doendo porque eu deixei pessoas que fizeram tanta diferença na minha vida e que sabe-se lá se algo disso tudo vai ficar. Eu tenho a impressão de que tudo que eu passei em Rio Grande vai ficar lá. Tudo o que veio comigo pra Brasília foram lembranças. Memórias de coisas boas, mas caramba, tinha que deixar absolutamente tudo pra trás? Não podia trazer nada comigo? Nem que fosse a ligação formada... uma pessoa pra contar... nada?

Sinceramente, eu sei que os Deuses sabem o que fazem, mas nesse momento, isso dói. Isso me incomoda e me deixa chateada. Eu queria um grande Amor, mas não no passado. Não adianta viver por apenas seis meses o que você quer pra toda a vida. Achar uma pessoa com quem vc se identifica tanto pra depois perder totalmente a ligação com ela. E nada, nada disso restar, a não ser lembranças.

Eu não aceitei isso direito ainda, e pensar dói, falar dói. Eu penso em tanta coisa, e tava tudo tão difícil de expressar. Mas quem sabe, escrevendo, fique mais fácil aceitar.

Ou talvez, só o tempo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

As Faces do Amor (repost)


Há muito tempo, escrevi isso. Resolvi deixar aqui no blog...
16 January 2009 @ 01:24 am
Feast of Love
There is a story about the Greek Gods; they were bored so they invented human beings, but they were still bored so they invented love, then they weren’t bored any longer. So they decided to try love for themselves. And finally, they invented laughter, so they could stand it. 

Esses dias eu ando pensando muito em relações humanas. Imagino os Deuses observando como nós interagimos com nossa espécie e o quanto eles se divertem com as confusões que nós causamos.
Ando pensando muito também no Amor, e nas diversas faces que o Amor pode ter.

Eu ficava pensando: se o Amor é a lei, por que é que as pessoas sofrem tanto? Por que existem tantos amores não-correspondidos, e por que sofremos tanto com isso?
E mais: eu tenho uma dificuldade muito grande quando penso que, às vzs, o Amor é totalmente correspondido, mas alguma coisa do destino separa duas pessoas que se amam. A morte, por exemplo.

Hoje assisti esse filme: Banquete do Amor. E ele mostra um pouco dos tipos diferentes de Amor. De como o amor fere, trai, mas também cura.
Durante todo o filme eu pensei coisas diferentes sobre o Amor.

Primeiro, eu vi pessoas se apaixonarem à primeira vista, e eu não acredito que isso aconteça. Depois, vi amantes que traíam esposa e namorado. Tinha um casal lindo com problemas de dinheiro e com parentes. Tinha um casal que tinha perdido o filho e se culpava por isso.

Sei lá. Vários “por ques” se passaram pela minha cabeça enquanto eu assistia o filme.
Eu nunca fui alguém de aceitar “heartbreaks” muito bem, ou qualquer tipo de tristeza. Não gosto de ver as pessoas sofrerem, não gosto de sofrer, e a dor de Amor é muito, muito difícil.

Mas aí, estava pensando, ao final… depois de um diálogo que tem no filme:

Harry Stevenson: God is either dead, or he despises us.
Bradley Thomas: You don’t really believe that.
Harry Stevenson: Maybe. I saw the most remarkable thing just now. I wandered into the stadium, I thought I was alone… but down on the 50 yard line there was a couple. They were making love. I watched for longer then I should have. I was envious… and then I felt sorry for them. There’s so much they don’t know; heartbreak they can’t even imagine.
Bradley Thomas: [sighs] Well, even if they knew, it wouldn’t change anything.
Harry Stevenson: How so?
Bradley Thomas: Chloe knew what was going to happen to Oscar.
Harry Stevenson: She knew?
Bradley Thomas: She did. She went to some psychic lady, predicted the whole thing.
Harry Stevenson: She believe her?
Bradley Thomas: Yes, Harry, she did. She didn’t run away, she didn’t crawl into a hole. She found them a house. She threw away her birth control and married him. God doesn’t hate us, Harry. If he did, he wouldn’t have made our hearts so brave. 


Os Deuses colocam desafios nas nossas vidas para que possamos vencê-los e descobrir nossa força. E, falando de relacionamentos e Amor, talvez precisemos dos “heartbreaks” para que, quando encontrarmos a tal pessoa, nosso coração esteja forte o suficiente para valorizar aquela pessoa e não se quebrar; talvez precisemos das porradas para valorizarmos a nós mesmos e não deixemos que nossa felicidade dependa de outra pessoa…

Durante toda a nossa vida, encontraremos ciclos de vida e morte. Algo sempre tem que morrer para que outro possa nascer. Geralmente, a morte traz sofrimento para um dos lados. Se uma pessoa querida estava sofrendo e morre, bom, ela parou de sofrer, mas os que ficaram sofrem por terem perdido a pessoa querida.
Se alguém deixou de amar uma pessoa que ainda o ama… bom, sempre haverá sofrimento.

Mas bom… o sofrimento só vai até vc mesmo permite, não é?
Eu leio várias histórias e vejo vários filmes sobre pessoas que amaram tão profundamente uma pessoa que nunca mais foram capazes de amar outra pessoa da mesma maneira… mas… será que tem que ser assim? Será que a pessoa não se dá nenhuma chance de amar outra vez e de compatilhar a vida com um@ parceir@ novamente? Será que sempre um amor será comparado ao outro?

São situações muito individuais… cada um vive o Amor de uma maneira… mas… quantas pessoas o vivem saudavelmente? Quantas pessoas traem o parceiro por não ter coragem de terminar algo que não está mais funcionando? Quantos não querem enxergar? Quantos mantêm relações que só provocam o mal? E… por quê?
A dor de um fim às vezes é muito grande, e achamos que maior do que a dor de estar com alguém que não está mais te fazendo bem. Mas essa dor passa… o tempo cura a dor. Para alguns, é preciso retomar o Amor-Próprio para conseguir fazer isso.

Sei lá, esse é um assunto para o qual eu não tenho nenhuma conclusão e poderia continuar fazendo muitas outras perguntas e tentar respondê-las. Mas por enquanto, encerro aqui minha reflexão.

Mas, para fechar, eu só acho que… talvez, a Deusa queira com isso nos mostrar que todo ciclo tem um começo e um fim, seja esse fim a morte ou apenas o fim do relacionamento. Mas que todo fim dá origem a um novo começo, e que depende de nós como recomeçarmos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mudanças

Porque uma nova fase começa. Porque às vezes, mudar é bom. E necessário. =)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pensamentos insones

Ahhh, insônia! Eu não gosto de você!

São 5h30 e eu estou elétrica! Se pudesse, acho que até sairia andando por aí agora.

Estou pensando e pensando, pra variar. Claro, eu só venho nesse blog pra refletir, né?

É... e eu tenho refletido, como sempre. Tenho percebido que convívio social é uma coisa extremamente importante, e que quando eu não o tenho eu começo a me irritar.

Tenho percebido que sentir saudade é uma coisa importante.

Tenho percebido que sinto muita, muita falta das minhas coisas. Que não vejo a hora de por vários planos em prática.

Tenho surtado um pouco com a dissertação, achando que tá tudo errado, mas isso faz parte.

Sinceramente, o mestrado é a menor das minhas preocupações agora. Eu tô de boa quanto a isso, só vou ter q controlar o nervoso na hora e pronto.

O estado chorão e dependente do último post tinha muito a ver com TPM e já estou um tanto melhor em relação a isso. e percebi coisas que me fazem bem, sim: chuva, sair um pouco, vento na cara, mudar de ambiente. Rir. Sair desse mundo. Sexo (ops, mas isso não depende só de mim). Já falei Chuva?

Ahhh, enfim. Tô elétrica. Tô sem sono. Talvez um pouco ansiosa. Louca pra encerrar logo essa fase. E pensando no que isso implica.

Certamente, na hora certa eu vou descobrir.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Outra face de Perséfone


Eu sempre escrevi aqui a respeito de Submundo, sobre mergulhar nas suas sombras, sobre Perséfone, mas nunca precisei encarar um lado dessa Deusa que tem se mostrado agora pra mim: a Deusa da Morte.

Claro, oras, a Rainha do Submundo também é responsável por isso. E esse lado dela, às vezes, pode ser extremamente difícil. Caminhar no Submundo estava relativamente tranqüilo quando eu pensava em um ponto de vista só – eu mesma. Ok, me senti sozinha várias vezes, senti muita, muita falta de muita coisa, e ainda sinto quando estou aqui. Mas, às vezes, não se trata apenas de nós mesmos. Às vezes, existem outras pessoas que precisamos ajudar, ou pelo menos estar do lado apoiando.

E eu não estava sendo muito bem sucedida nisso, não. Claro que é compreensível, considerando um tanto de fatores, mas depois de dormir sobre o assunto, parei pra pensar que eu não deveria estar assim. Que eu tenho que ser mais forte esses dias pra dar força pra quem precisa. E percebi que, pra isso, preciso recuperar as forças.

Tenho me sentido dependente demais de pessoas, de coisas que não estão ao meu alcance, de coisas que não posso mudar. E não deveria ser assim... não podemos depender do que é externo a nós, não é verdade?

Então, como contornar isso? Como recuperar essas forças pra apoiar quem precisa se eu não tenho todos os recursos que seriam mais convenientes? Como não me deixar influenciar pelas energias e sentimentos externos a mim?

Se tem uma coisa que aprendi nessas vivências todas dos últimos tempos foi que as pessoas nem sempre estarão ali quando você precisa – aliás, eu fui obrigada a passar por muita coisa sozinha. Decepcionar-se com isso, com elas, faz parte, mas não adianta simplesmente ficar assim. Se você quer se sentir melhor, tem que fazer algo pra isso.

E meu objetivo nos próximos dias é descobrir o que vai me fazer sentir melhor – sem depender de ninguém.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Retrospectiva

É fim de ano, mais uma vez. E eu estava aqui, relendo meus posts de resoluções de 2011 (aqui e aqui), considerando a magia do meu blog e achei que seria uma boa ideia aproveitá-la.

2011 foi um ano peculiar. Eu mergulhei no Submundo de uma forma que nunca tinha acontecido. Fui mais fundo, percebendo mais nuances de mim mesma, descobrindo realmente o que eu quero, minhas paixões, o que eu quero manter na minha vida e o que eu quero retirar.

Engraçado como certas coisas marcam a gente. Eu estava até um pouco traumatizada com Rio Grande pensando na cidade e no meu ano. Pensando no frio que passei, nas dificuldades morando sozinha, me sentindo sozinha, e torcendo pra tudo isso acabar, como se nada de bom tivesse acontecido.

Mas não, não foi bem assim. 2011 foi um ano de fases. De decisão, de término, de cura, de música, até a metade dele. Depois... muita coisa foi tirada. Ou talvez, apenas as ilusões. O que não era duradouro se foi. Mas em compensação, ganhei o maior presente, não é?

Confesso, ainda tem coisas (ou seriam pessoas?) que lamento não estarem mais na minha vida. Tem certas coisas que eu queria que não tivessem acontecido nesse tempo, mas que foram essenciais pra eu chegar onde estou agora, então, bom, nada é por acaso...

Pois é... talvez a maior lição de 2011 tenha sido exatamente essa. E pelo resultado de tudo, pelo meu maior presente, esse ano foi muito bom, e eu não quero ficar lembrando das coisas chatas, e sim do que foi bom. Da música, da diversão, da cura, da paixão, da lealdade, do Amor. E de como eu sou uma pessoa melhor agora.

E então entraremos em 2012. Planos?

Retomar a música, que eu tive que deixar pra lá por ter coisa demais na cabeça. Aula de canto só pra mim, piano (por minha conta). Doutorado sem matar ninguém. Sacerdócio em primeiro plano. Harmonizar com a família, já que voltarei pra casa depois de 8 anos. E continuar amando, amando muito.

Feliz 2012!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mais sobre Amor

Aqui estou eu no meu cantinho solitário, como faço quando às vezes preciso tirar coisas de mim mesma.

Eu sempre refleti muito sobre o Amor, né? E eu continuo fazendo isso, basicamente sempre.

Acho que o Amor sempre tem muito a nos ensinar.

E eu já aprendi muito com ele. Já entendi que tem gente que ama muito, muito livremente, e que tem gente que usa o Amor como chantagem ou como arma... já entendi que o Amor precisa ser regado, cuidado com carinho pra não morrer...

Também já percebi que Amor e Relacionamento são coisas distintas, e que um relacionamento não se sustenta só com Amor. Não, não. Nem sempre um "eu te amo" conserta tudo. É muito possível e fácil simplesmente amar. Mas sustentar um relacionamento... tá aí o grande mistério.

Eu, sinceramente, ainda me pergunto demais o que é normal e o que não é. Se estou sendo boba em pensar certas coisas, em achar certas coisas... e aí eu acabo deixando passar coisas que, talvez, fossem importantes. Reluto comigo mesma, achando que estou exagerando. Que vou encher o saco com bobagem se eu falar. E às vzs fico com um nó na garganta pensando tanto.

Mas não é assim que tem que ser, não é? E isso tem sido um grande desafio pra mim, na verdade. Ainda não o dominei nem um pouquinho.

Talvez eu tenha que aprender a ser mais tranquila com tudo. Aceitar que existem fases, e que nem sempre as duas pessoas se encontram na mesma fase. E entender como lidar com isso... a parte complicada da questão.

Escrevi, escrevi, e acho que não disse muita coisa. Mas não é aqui que tenho que dizer, mesmo. Só precisava escrever um pouco, liberar minha mente, porque eu tenho uma capacidade absurda de fazer tudo tomar uma proporção muito grande mentalmente. E aí, escrevendo eu tiro isso de mim pra não deixar crescer mais ainda.

É... o Amor ainda tem muito a me revelar.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CANSEEEEEI!!!!!!!!!!!!!!!

Cansei de ficar sozinha nesse fim de mundo quando não estou com a única pessoa que ainda tenho aqui.

Cansei de almoçar sozinha, de fazer comida sozinha, de comer miojo, de andar de ônibus, de improvisar tanta coisa.

Cansei de não ter minha família por perto, de não ter meus amigos por perto, de estar longe da TCS, de ter q falar com (quase) todas as pessoas que importam por telefone ou internet.

Cansei de estar tão dependente de algo. E de me esforçar pra tirar essa dependência, e isso doer.

Cansei até mesmo dos meus pensamentos, de tanta preocupação, de sempre racionalizar tudo, de ter dúvida de tanta coisa, tanto medo e insegurança.


Essa mudança me chama há muito tempo. Eu resisti, mas ela continuou puxando. E parece que agora, que tô quase lá, isso tá puxando mais e mais forte. E a ansiedade aumenta, e talvez seja isso que esteja pesando tanto.

Tá na hora de ir, mesmo. E eu estou feliz por isso. O que eu tenho de precioso aqui não vai mudar. Mas se eu não fôr... sei lá. Pode acabar estragando isso também.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mudanças...

Cinco meses atrás, eu estava completamente dividida. Não sabia se ia embora, se ficava. Tinha os caminhos abertos pra ir e pra ficar. Estava feliz lá e aqui, mesmo que sempre desse uma dorzinha de ir embora de lá.

E aí eu decidi o que fazer. E tenho a impressão de que as coisas começaram a se moldar a partir da minha decisão.

Tanta coisa mudou em tão pouco tempo. Ilusões se desfizeram, pessoas se afastaram, caminhos se fecharam. Sinto cada vez mais vontade de ir embora. Não tem muita coisa que me prende a Rio Grande, na verdade. Quase nada. E o peso disso às vezes fica bem grande.

O lance é que o peso do que me prende também é muito grande. Eu poderia ir embora agora, mas pensar nisso também dói.

Semana passada eu me mudei de casa, de novo. Tava sentindo uma necessidade de mudança. Ainda não é a graaande mudança, mas acho que eu precisava dela. Voltei pra kitnet do ano passado, pequenininha e com vizinhos barulhentos do lado. E mesmo querendo essa mudança, sabendo ser necessária, estava custando a aceitar.

E aí percebi que estava mesmo era relutando em aceitar ficar sozinha. A gente se acostuma com certas coisas... mas eu vi que tava errando nisso. E se eu resolvesse ir embora agora não ia resolver nada. Porque tem certas horas em que a gente tem que ficar sozinha mesmo, e cuidar da gente, e lembrar que ficamos bem sozinhos, também.

Eu ando me sentindo um pouco como Kore qdo ela chegou no Submundo. Um tanto perdida, sozinha, com um porto seguro e só ele. Com uma vontade absurda de voltar para o familiar, pro conforto da Terra.

Kore se tornou Rainha do Submundo e também Rainha de si mesma quando aprendeu a lidar com tudo isso. E eu achei que tinha conseguido lidar com a solidão e todo o resto. Que tinha passado a fase de tudo. Mas na verdade, tudo isso voltou... e eu, que achava que tinha ficado completamente familiar com o Submundo, percebi que estou como Kore de novo. Como uma criança meio perdida.

Eu fiz a minha escolha e agora, mais do que nunca, sei que não tem volta. Os caminhos se fecharam aqui e estão se abrindo lá. E eu escolhi ficar mais um pouco, apenas. O suficiente pra deixar tudo em ordem, reforçar as bases de certas coisas e não deixar pendências. E lidar com as coisas que sei que preciso lidar sozinha, mesmo que seja difícil. Também seria muito difícil ir embora agora.

Então é hora de deixar a criança Kore crescer e Perséfone voltar.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Das ligações chatas

Telefone toca.

- Alô?
- Senhora Janice, aqui é o Fulano, do Bradesco, temos um cartão assim e assado.....
- Olha, Fulano, eu não tenho interesse.
- Mas o cartão tem essas e essas e mais essas vantagens....
- Eu realmente não tenho interesse.

Fulano fala, e fala, e não para de falardas vantagens do cartão e de como eu posso gerenciar os gastos e bla bla bla. Digo pra ele q tô quase desligando na cara dele pq eu não quero mesmo o cartão.

- Mas vc não vai fazer isso né, Sra Janice?
- Se vc continuar insistindo vou sim.

Mas eu falei simpaticamente, o tempo todo.
E ele continua tentando, e me perguntando por que eu não quero um cartão melhor q o meu, e bla bla bla bla... eu enchi o saco e disse:

- Então tá, Fulano, já q vc não quer se despedir de mim, eu vou me despedir de vc. Obrigada pela sua ligação, eu realmente não quero o cartão, tenha uma boa tarde. Tchau!

E desliguei antes de ouvir a resposta. :P